A Câmara de Dirigentes Lojistas de Chapecó (CDL Chapecó) manifesta profunda preocupação com a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 no Brasil, tema que ganhou espaço no Congresso Nacional e na mídia. A entidade defende que o debate público deve priorizar a redução do custo Brasil — e não a alteração precipitada da legislação trabalhista — como forma mais eficaz de aumentar a competitividade, proteger empregos e fortalecer a economia nacional.
O presidente da CDL Chapecó, Roni Tasca, ressalta que, em um cenário de custos elevados e produtividade estagnada, a redução da jornada de trabalho pode reduzir ainda mais a produção, sem atacar as reais causas estruturais que a limitam. Tal caminho, alerta ele, tende a gerar aumentos de custos operacionais, risco de demissões e pressões inflacionárias, ao invés de melhorar a competitividade do país.
Tasca alerta que experiências internacionais demonstram que a queda de produtividade é um caminho que historicamente levou países ao empobrecimento. Para o dirigente, o foco do debate deve estar na redução do custo Brasil, medida que, ao aumentar a eficiência e a competitividade, beneficia trabalhadores, empresas e contribui para o desenvolvimento sustentável de toda a nação.
CUSTO BRASIL
O custo Brasil, termo que agrupa fatores como burocracia, infraestrutura deficiente e carga tributária elevada, representa um peso significativo sobre empresas e trabalhadores. Estudo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC) e a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) revelou que essas ineficiências consomem cerca de R$ 1,7 trilhão por ano, o equivalente a quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB), valor que o setor produtivo gasta a mais em comparação com a média dos 38 países que compõem a OCDE.
Paralelamente, o Brasil registrou a maior carga tributária dos últimos 22 anos, com tributos totalizando 32,2% do PIB — percentual que, se incluísse todos os encargos, poderia ultrapassar 34%, conforme dados do InfoMoney.
Este nível de cobrança está entre os mais altos do mundo emergente, impactando diretamente os custos operacionais das empresas e reduzindo a margem de investimento em tecnologia, inovação e capital humano.
O resultado é uma economia onde o empresário dedica centenas de horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais: mais de 1.500 horas anuais são gastas em apuração e pagamento de tributos, segundo estudo Doing Business, do Banco Mundial — quase o dobro do tempo necessário em muitos concorrentes internacionais.
PRODUTIVIDADE X CUSTOS
A produtividade do trabalho no Brasil é outro indicador que merece atenção no debate. Em 2024, apesar de um crescimento de 3,9% — o melhor resultado desde 2020 — o país ocupava apenas a 78ª posição em produtividade global, atrás inclusive de vizinhos sul-americanos como Uruguai, Argentina e Chile, conforme dados divulgados pela Conference Board.
No mesmo ano, cada trabalhador brasileiro produziu o equivalente a cerca de US$ 21,44 por hora trabalhada, menos de um quarto do que gera um trabalhador norte-americano.
Para a CDL Chapecó, estes dados refletem desafios estruturais que não se resolvem com simples ajustes na jornada, mas com reformas profundas na estrutura produtiva e no ambiente de negócios.
ORÇAMENTO PÚBLICO CRÍTICO
A pressão sobre o orçamento público também é um ponto crítico que impacta na economia. Projetos sociais e programas assistenciais ocupam parcela relevante das despesas. Em 2025, o Brasil gastou mais de R$ 400 bilhões com programas de transferência de renda e assistência social, o maior patamar da história recente.
No caso do sistema previdenciário, especialistas apontam déficit estimado de cerca de R$ 140 bilhões em 2025 no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Esse quadro fiscal restritivo, com despesas obrigatórias em alta, segundo a entidade, limita a capacidade do Estado em aumentar investimentos produtivos, afetando saúde, educação e infraestrutura — pilares essenciais para elevar a produtividade no longo prazo.
“A CONTA NÃO FECHA”
A CDL Chapecó reforça que a proposta de redução da jornada de trabalho, sem o enfrentamento dos problemas estruturais do país, aprofunda desequilíbrios e transfere à iniciativa privada uma conta que o Brasil já não consegue pagar. Para a entidade, a equação é simples: mais custos, com a mesma ou menor produtividade, resultam em menos empregos, preços mais altos e menor crescimento econômico.
O presidente afirma que o debate precisa ser conduzido com responsabilidade e foco na origem do problema. “A conta não fecha. O Brasil já opera com uma carga tributária superior a 32% do PIB, um custo Brasil que consome cerca de 20% da nossa riqueza e uma produtividade muito inferior à de países que discutem jornadas menores. Reduzir horas de trabalho sem reduzir custos é empobrecer o país”, avalia.
A CDL Chapecó sustenta que somente com um ambiente econômico mais leve, previsível e competitivo será possível gerar empregos sustentáveis, ampliar a renda da população e aliviar a pressão sobre o Estado, que já enfrenta dificuldades para financiar a previdência, os programas assistenciais e os serviços públicos essenciais.
Para a entidade, insistir em soluções que ignoram a realidade fiscal e produtiva do país é adiar o enfrentamento do verdadeiro problema. “Quando o custo aumenta e a produtividade cai, alguém sempre paga essa conta. E, no Brasil, ela já chegou ao limite”.




