História por trás da SM Santa Maria inspira jovens empresários em Chapecó

A história da SM Santa Maria, empresa que nasceu da persistência do engenheiro civil Milton Sordi e hoje avança com a participação da esposa Janete e dos filhos Pedro e Isabela, marcou a primeira edição de 2026 do Trajetória Profissional, promovido pela CDL Jovem Chapecó. O encontro ocorreu na noite de terça-feira, dia 7, na Central de Decorados da Santa Maria, e reuniu membros da entidade, empresários e convidados para uma conversa sobre empreendedorismo, sucessão familiar, inovação e construção de legado.

O evento, tradicional no calendário da CDL Jovem, tem como proposta aproximar novas lideranças de empresários com histórias consolidadas no mercado. Nesta edição, o formato teve um diferencial: o nome dos convidados foi mantido em sigilo até o dia do encontro. A surpresa revelou uma trajetória empresarial diretamente ligada ao desenvolvimento urbano de Chapecó e à atuação de uma família que construiu, ao longo de três décadas, uma marca de referência no setor imobiliário.

Milton Sordi, fundador da Santa Maria, relembrou o início da empresa, criada em 1994, após experiências como engenheiro civil e uma breve passagem pelo Banco do Brasil, onde ingressou por concurso. O nome é uma homenagem à cidade e à universidade que o formou: Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Antes de consolidar a atuação em Chapecó, iniciou a atividade em Pinhalzinho e enfrentou as dificuldades de se inserir em um mercado competitivo. Segundo ele, a aproximação com entidades e lideranças locais ajudou a abrir caminhos e fortalecer relações na Capital do Oeste.

Com poucos recursos, apoio familiar e uma estrutura inicial enxuta, a Santa Maria começou com serviços de construção e incorporação. A frase que guiou o início da empresa, segundo ele, permanece atual e realça sua busca incessante por qualidade: “Construa como se fosse seu próprio barco”.

CRESCIMENTO

Em 1997, a empresa expandiu sua atuação com a criação da Santa Maria Imóveis. Antes focada apenas na construção e incorporação de empreendimentos, passou a atuar também como imobiliária, ampliando seu portfólio de serviços e fortalecendo sua presença no setor. Em 2014, ao completar 20 anos, iniciou um novo ciclo, com foco em arquitetura inovadora, design diferenciado e diversificação de produtos. “Fazer diferente passou a ser uma necessidade. Inovar era questão de sobrevivência”, relatou Milton. A partir desse período, a empresa ampliou a contratação de profissionais com novos traços arquitetônicos, apostou em studios de forma pioneira em 2016, inaugurou a Central de Decorados em 2017, avançou para empreendimentos corporativos e, em 2025, apresentou a evolução da marca SM.

Os números reforçaram a dimensão alcançada pela empresa. A Santa Maria soma mais de 400 mil metros quadrados construídos e em construção em Chapecó, mais de 5 mil pessoas morando em imóveis da marca, 39 empreendimentos concluídos ou em andamento e 2,8 mil imóveis na carteira de locação. A estrutura reúne 640 colaboradores, 59 engenheiros e arquitetos, equipe de vendas interna e parceiros, além de departamento de planejamento e inovação. Entre os dados mais recentes, destacam-se 1.946 unidades entregues, 1.763 unidades em construção, R$ 1,35 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV), além da diversificação de produtos com ticket entre R$ 350 mil e R$ 6 milhões.

SUCESSÃO FAMILIAR

Ao falar sobre a presença dos filhos na empresa, Milton lembrou que Pedro e Isabela acompanharam a rotina da construção desde pequenos. As visitas às obras nos fins de semana, segundo ele, faziam parte da convivência familiar. O empresário destacou que sempre incentivou os filhos a estudar e a valorizar o conhecimento técnico. “Eu sempre busquei muito conhecimento. Valorizo o fazer bem-feito, com qualidade, de forma inovadora, para entregar valor”, ressaltou.

A sucessão familiar foi um dos pontos centrais da noite. Pedro Sordi, que já integrou a CDL Jovem por vários anos, falou sobre a responsabilidade de dar continuidade à empresa fundada pelo pai. Formado em Engenharia Civil pela Unochapecó, com parte da formação em Portugal, ele contou que a entrada na empresa ocorreu de forma natural. Primeiro como estagiário de engenharia, depois com passagem por todos os setores da empresa e atuação mais sólida em desenvolvimento de produto, inovação e área comercial.

Pedro destacou que a vivência ao lado do pai foi uma espécie de formação complementar. “Além da faculdade, tive a faculdade Milton Sordi”, disse. Para ele, o grande desafio da sucessão é preservar a essência da empresa e, ao mesmo tempo, preparar a Santa Maria para novos ciclos. “Meu propósito de vida é honrar a empresa que meu pai criou e dar continuidade a esse sonho. O nosso propósito como empresa é entregar lares e impactar vidas”, sublinhou.

Isabela Sordi também compartilhou sua trajetória e atuação na empresa. Administradora e economista pelo Insper, com parte da graduação na Bocconi University, em Milão, ela atua como vice-presidente da SM Santa Maria. Sua atuação envolve áreas estratégicas como Marketing, Gente & Gestão, Controladoria e Tecnologia da Informação. Durante a apresentação, Isabela destacou a necessidade de alinhar crescimento, cultura organizacional, processos internos e relacionamento com clientes e comunidade. Sua presença reforça a profissionalização da gestão e a complementaridade entre as novas gerações da família.

CONHECIMENTO

Para a coordenadora do Trajetória Profissional, Júlia Barella, a edição inspirou os jovens empresários e aproximou diferentes experiências. “O evento foi um sucesso. Trouxe muito conhecimento e inspiração para nós, jovens empresários, mantendo o propósito do Trajetória, que é criar conexão, favorecer o networking e levar para dentro das empresas um pouco dos insights aprendidos nesta noite”, avaliou.

O presidente da CDL Jovem Chapecó, Ricardo Lima, enfatizou que a história da família Sordi oferece referências práticas para quem está em fase inicial ou de crescimento nos negócios. “Para nós, jovens empresários, ouvir uma empresa como a Santa Maria, que tem uma trajetória consolidada e grande presença no mercado, permite absorver conhecimento e entender decisões que podem servir de exemplo para nossas empresas”.

O presidente da CDL Chapecó, Roni Tasca, destacou que o Trajetória Profissional cria uma ponte entre gerações empresariais. Para ele, o encontro permite que os jovens compreendam acertos e erros de quem já percorreu um caminho mais longo. “É um projeto maravilhoso, porque ajuda a entender os passos certos e os passos errados que muitos empresários deram. Os jovens conseguem aprender com essas experiências para corrigir o próprio caminho e construir o futuro dos seus negócios com mais segurança”, pontuou.
A segunda edição do Trajetória Profissional está prevista para setembro.

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