Curso promovido pela CDL Chapecó aborda análise de risco, estratégias de cobrança e formas mais seguras de receber as vendas a prazo

O número de inadimplentes em Chapecó cresceu em 11,98% em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025, conforme dados do SPC Brasil divulgados pela CDL Chapecó. O índice ficou acima da média da região Sul, de 10,68%, e da nacional, de 7,80%. O avanço da inadimplência reflete diretamente nas vendas a prazo e aumenta os riscos para as empresas, de não receber as parcelas pontualmente. O assunto foi um dos focos do curso Análise de Crédito e Cobrança, promovido pela CDL Chapecó nesta semana, no auditório da entidade, com o especialista em gestão financeira Airton Luiz Rigotto.
Segundo Rigotto, o cenário de juros elevados associado a outros fatores econômicos, provocam uma elevação dos custos de vida para o consumidor. O palestrante observou que a taxa Selic permanece elevada há anos e, conforme as expectativas do mercado financeiro, deve continuar acima de 14% ao longo dos próximos dois anos. “Dados do Serasa indicam que cerca de 53% da população têm dificuldade para pagar todos os gastos com a renda familiar, enquanto 25% recorre ao cartão de crédito para complementar o orçamento”, observou.
REFLEXO NAS EMPRESAS
O problema não se limita às famílias e afeta diretamente o resultado das empresas. De acordo com dados do Banco Central citado pelo especialista, aproximadamente 90% das dívidas de pessoas jurídicas junto às instituições financeiras estão concentradas em micro, pequenas e médias empresas. “Ao mesmo tempo, as instituições financeiras estão cada vez mais cautelosas na concessão de crédito diante da expectativa de aumento da inadimplência”, sublinhou.
Rigotto defendeu que as empresas aprimorem a análise de crédito antes de vender a prazo. Durante o curso, o especialista trabalhou apresentou critérios de cadastro, checagem de informações, perfil de endividamento do cliente e definição de uma política de crédito própria, além de estratégias de cobrança, negociação e relacionamento.
Para Rigotto, a escolha da forma de pagamento também pode reduzir riscos. “Pix, dinheiro e cartão estão entre as opções seguras para o comércio. No cartão, o risco de inadimplência da operação é transferido para a operadora, enquanto o lojista recebe os valores conforme as condições contratadas”, comentou.
Para estimular essas modalidades de pagamento, Rigotto apresentou estratégias como descontos, cashback, programas de fidelidade, maiores parcelamentos e ampla divulgação. “A ideia é reduzir gradativamente a dependência de modalidades mais arriscadas, como o carnê e boleto, que exige uma análise de crédito mais rigorosa”, acrescentou.
O especialista também alertou para os impactos do “Split Payment”, novo formato de recolhimento de impostos em que o valor do tributo será retido pelo sistema financeiro no momento da venda. Segundo Rigotto, na prática, a empresa deixará de ter acesso a esse recurso como capital de giro até o pagamento dos impostos no mês seguinte. O instrutor explica que essa mudança, somada ao cenário de inadimplência, poderá provocar ou agravar dificuldades financeiras, especialmente para as Micro e Pequenas Empresas (MPEs). “Vendas com maior segurança de recebimento serão fundamentais para preservar o fluxo de caixa”.
O diretor executivo da CDL Chapecó, Maurício Duarte, ressaltou que o curso trouxe informações e ferramentas que auxiliam as empresas a reduzir riscos, melhorar seus processos internos e tomar decisões com maior segurança. “Em um cenário de juros elevados e maior comprometimento da renda das famílias, decisões inadequadas podem afetar diretamente o fluxo de caixa e a saúde financeira dos negócios. Por isso, estabelecer critérios claros para vender a prazo e adotar procedimentos eficientes de cobrança são fundamentais”.





