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Que tal se o pagamento em dia da prestação na loja, do financiamento no banco ou até da conta de luz, água e telefone pudesse valer bônus como menos juros, mais crédito ou maior prazo para pagamento numa nova compra? É o que propõe a nova lei do Cadastro Positivo, um banco de dados que apresenta o histórico individual de pagamentos realizados pelos consumidores, em vigor desde julho do ano passado. Com ele, todo cidadão que tiver regularidade nos pagamentos, terá a sua avaliação positiva em crescimento. Desse modo, ocorre uma mudança no cenário de avaliação de crédito, que até então informava apenas a condição negativa do consumidor.
A novidade ainda está em fase de abastecimento de dados no Brasil. Porém, por regra, todos os CPFs cadastrados no País entraram automaticamente no sistema do Cadastro Positivo. Essas informações individuais são fornecidas pelos bancos, financeiras, varejo, empresas de água, energia e setor de telecomunicações às empresas que concedem crédito, chamados de birôs de crédito (Serasa, SPC, Boa Vista e Quod). Os dados financeiros só se referem à oferta de crédito e não à movimentação bancária ou informações pessoais. Compras à vista também não entram na base de dados do sistema.
Funciona assim: a cada parcela paga, o sistema do Cadastro Positivo identifica a movimentação, gera nota (score) e qualifica o consumidor aos níveis correspondentes de bom pagador. Quanto maior a nota, mais oportunidade de negociar crédito, juros e prazos pelo cidadão em novas compras. Por outro lado, maior também a segurança do lojista na hora da venda.
“É uma mudança de comportamento que vai identificar os hábitos do consumidor e a rotina de pagamentos de cada usuário. É igual ao cadastro negativo que temos hoje, só que ao contrário de apontar quem está devendo, o Cadastro Positivo representa a confiança do mercado na capacidade de cada pessoa em honrar seus compromissos financeiros”, destaca o coordenador comercial da Câmara de Dirigentes Lojistas de Chapecó (CDL), Maurício Duarte, que participou de capacitação técnica sobre o cadastro em Florianópolis.
A entidade está orientando lojistas e consumidores sobre as novas regras que prometem movimentar a economia brasileira. Para se ter uma ideia, o Cadastro Positivo terá um banco de dados com 152 milhões de consumidores e empresas e 10 bilhões de informações de pagamentos. A projeção da Federação de Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) é que a medida tenha impacto direto no consumo e no mercado de crédito no Brasil. O aumento esperado só na venda de eletrodomésticos é de 17,1 milhões de unidades, além de 15,4 milhões de eletroeletrônicos, 5,6 milhões de imóveis populares e 3,5 milhões de automóveis. No mercado de crédito, a projeção é de redução de juros em 74% e da inadimplência em 45%, com injeção potencial de crédito de R$1,1 trilhão.
“Haverá aumento da oferta de crédito porque mais consumidores terão como comprovar rendimentos, através de uma análise de crédito mais justa. Se a pessoa tem uma nota mais favorável, pode negociar melhores condições de financiamento. Isso representa o empoderamento do consumidor e ao mesmo tempo a segurança da empresa que terá um índice mais preciso para ajudar a tomar a decisão na hora da venda”, reforça Duarte.
SOBRE O CADASTRO
Apesar de a inclusão no Cadastro Positivo ser automática, o consumidor pode solicitar a exclusão na base de dados em qualquer momento, caso não queira fornecer informações. Porém, sem o cadastro, o consumidor abre mão dos benefícios no mercado de crédito. Para acessar seus dados, consultar nota de score ou histórico de pagamentos de forma gratuita, o cidadão só precisa baixar o aplicativo de uma das empresas que concedem crédito (Serasa, SPC, Boa Vista e Quod) e se cadastrar. Também pode entrar em contato com a central de atendimento no número 0800 887 9105.
Para orientar empresas e consumidores sobre o Cadastro Positivo, a CDL Chapecó presta informações junto aos associados. A entidade também está desenvolvendo sistema para facilitar a inclusão de dados pelo varejo, uma das fontes de informações do Cadastro e público-alvo da CDL.
“Por ser uma lei nova, por enquanto, apenas os bancos estão fornecendo dados, mas tanto varejo quanto empresas de energia, água e telecomunicações precisam alimentar o Cadastro. Acredito que podemos levar de um a dois anos para termos uma base mais sólida de informações no sistema e, de fato, uma leitura mais detalhada do comportamento financeiro dos brasileiros. Porém, já é possível acessar seus dados, consultar sua nota e negociar créditos melhores no mercado”, salienta Maurício Duarte.
 

Fonte: MB Comunicação

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